Vila Real quer escolas mais felizes!


O Município de Vila Real no âmbito de PIPSE - Planos Intermunicipais de Promoção do Sucesso Escola, torna-se um dos primeiros do país a aplicar de forma integrada o modelo Happy Schools da UNESCO, ajustado à realidade portuguesa — um referencial que parte de uma ideia simples: alunos, famílias, professores e auxiliares trabalham melhor quando são felizes na escola. A coordenação do Projeto será assegurada pela equipa.
Há uma pergunta que raramente entra nos rankings escolares, mas que pode explicar boa parte do que neles acontece: as crianças são felizes na escola? Em Vila Real, essa pergunta passa agora a ter resposta medida, comparável e baseada em ciência. O município é um dos primeiros do país a adotar de forma integrada o modelo Happy Schools, desenvolvido pela UNESCO, ajustado à realidade em Portugal, para perceber de que modo o bem-estar influencia as aprendizagens, o sucesso educativo e o clima de cada escola.
A iniciativa apoia-se no trabalho da equipa de investigação que adaptou o modelo à realidade portuguesa, coordenada por Patrícia Gramaxo, da Universidade Aberta, por Georg Dutschke, da Atlântica – Instituto Universitário, com outros investigadores, como Gonçalo Morgado, animador sociocultural com ligação ao concelho de Vila Real, fator que contribuiu para a escolha do território como caso pioneiro de aplicação do modelo. A diversidade dos agrupamentos de escolas do município reforçou ainda a pertinência científica da seleção
Quatro pilares para uma escola feliz
O referencial da UNESCO organiza-se em torno de quatro dimensões. As Pessoas dizem respeito às relações, à amizade, à inclusão, ao respeito e à segurança emocional. Os Processos abrangem os métodos de ensino, a carga de trabalho, a criatividade e a motivação. Os Espaços referem-se ao ambiente físico — conforto, segurança e condições para aprender. Por fim, os Princípios são os valores que sustentam toda a comunidade educativa, como a confiança, a inclusão e o empoderamento, e que tornam possível tudo o resto.
Na prática, o estudo permite avaliar fatores tão diversos como as condições físicas das salas, a qualidade das relações entre alunos, professores, assistentes e famílias, o sentimento de pertença à escola, a equidade, a segurança física e emocional, os métodos de ensino ou a
participação dos alunos na vida escolar — e, no fim, os próprios níveis de satisfação e felicidade.
Como se ouve uma comunidade inteira
O modelo português foi pensado para recolher informação junto de quatro públicos distintos: alunos, encarregados de educação, docentes e não docentes. Aos números somam-se as palavras: além de perguntas fechadas, que medem indicadores de felicidade, os questionários incluem questões abertas que deixam cada pessoa explicar, por si, o que a faz sentir-se bem — ou mal — na escola.
Vila Real é um dos casos pioneiros em Portugal e no mundo
O conceito Happy Schools nasceu de estudos realizados em vários países asiáticos e tem sido adaptado a contextos muito diferentes, de Portugal ao Vietname. Em Vila Real, a aplicação do modelo permitirá alargar a abordagem a um novo território e contribuir para o conhecimento sobre os fatores que promovem o bem-estar e o sucesso nas escolas portuguesas.
O que a ciência já mostrou
Os estudos feitos em Portugal apontam todos na mesma direção: o que mais pesa na felicidade de alunos e famílias não são os espaços nem os equipamentos, mas as relações. Entre os fatores mais valorizados estão as relações positivas dentro da comunidade educativa, um ambiente acolhedor, o sentimento de segurança física e emocional, a inclusão e o respeito pela diversidade, o bem-estar emocional e a qualidade das experiências de aprendizagem.
No centro de tudo está a figura do professor. Os alunos valorizam sobretudo os docentes que demonstram atitudes positivas e empáticas, que sabem ouvir, que são justos e respeitadores, que explicam bem a matéria e são exigentes de forma equilibrada, apoiando o desenvolvimento pessoal e académico de cada um num ambiente motivador e inclusivo.
Do outro lado da equação, a investigação identifica os principais inimigos da felicidade escolar: o bullying, os conflitos entre pessoas, as atitudes negativas de alguns professores e a carga de trabalho excessiva, que gera stress e pressão sobre os alunos. A conclusão é clara — a felicidade na escola depende, acima de tudo, da qualidade das relações humanas, sendo os professores um dos elementos mais determinantes na construção de ambientes seguros, positivos e promotores de sucesso.